Torcedores articulam mudança no estatuto para tornar ABC um “clube-empresa”

De acordo com um dos líderes do movimento, objetivo é buscar a profissionalização do clube adotando modelo que já deu certo em outras agremiações do Nordeste

Com o rebaixamento para a Série D do Campeonato Brasileiro confirmado no último fim de semana, muitas alternativas de mudanças começaram a ser pensadas no ABC. O objetivo de todas, no entanto, é um só: promover um futuro melhor para o clube, que escreveu em 2019 uma das piores páginas de sua história centenária. Afinal, será a primeira vez que disputará a quarta divisão do País (competição que existe desde 2009 no calendário esportivo brasileiro, período em que o time alternou entre as Séries B e C).

Entre tantas alternativas, a que mais vem ganhando força nos bastidores é uma que foi idealizada pelas torcidas organizadas: a de promover uma mudança no estatuto que possibilite a remuneração de todos os dirigentes do clube já a partir de 2020. Para o movimento “Diretoria Remunerada JÁ”, pagar os dirigentes é uma forma de profissionalizar o clube, que em contrapartida vai passar a exigir que seus funcionários cumpram carga horária diária, batam ponto e todas as demais obrigações que um funcionário de uma empresa comum tem.

“Esse é o primeiro passo para que juntos possamos construir um futuro renovado e vitorioso para o Mais Querido, proporcionando que o clube não seja administrado apenas por aposentados ou pessoas de condições financeiras mais elevadas, que na verdade levam o clube como uma mera confraria, se apegando ao poder e utilizando-o como cabide de empregos. Precisamos de renovação!”, diz um comunicado publicado nas redes sociais pelos torcedores.

De acordo com Rodrigo Mendonça de Oliveira, presidente da barra-brava “Movimento 90”, a prática de remuneração e cobrança de expediente de dirigentes já deu certo em outros clubes do Nordeste, como Bahia e Fortaleza, que hoje disputam a Série A do Campeonato Brasileiro. “Nossa intenção visa um futuro vencedor para o ABC. Depois de analisarmos tudo que foi feito até agora sem trazer resultados, pegamos esses exemplos no Nordeste e queremos implantar no clube. Contamos com o apoio de toda a torcida”, afirmou.

Rodrigo Mendonça de Oliveira é presidente da barra-brava Movimento 90, uma das organizadas do ABC. (Foto: Rennê Carvalho)

VIABILIDADE

Para que o movimento liderado pelos torcedores se transforme em realidade, ele precisará ser apresentado, discutido e aprovado na próxima reunião do Conselho Deliberativo (CD) do clube, que segundo Rodrigo deve acontecer em setembro. O estatuto do ABC aponta que qualquer proposta de alteração em seus dispositivos exige aprovação mínima de dois terços dos membros do Conselho. Hoje, 117 pessoas compõem o CD alvinegro, sendo 20 deles conselheiros natos (aqueles que já ocuparam cargos de chefia em algum momento da história do clube).

“Apesar da exigência de aprovação por pelo menos dois terços do Conselho ser considerada alta, estamos confiantes em uma mudança rápida e tranquila. Grande parte do CD está ao nosso lado, até porque nós (as torcidas organizadas) temos muitos integrantes que também são conselheiros do clube (o que certamente vai ajudar no somatório da votação pela mudança estatutária)”, completou Rodrigo, que prevê que a nova regulamentação do clube estará em vigor já na temporada 2020.

ATUAL DIRETORIA

O presidente do ABC, Fernando Suassuna, e o atual vice-presidente, Bira Marques, são favoráveis a mudança no estatuto, ainda segundo as informações passadas por Rodrigo Oliveira. Devido a isso, o pensamento da torcida é de que os atuais dirigentes permaneçam em seus cargos, mas já com a missão de cumprir as novas determinações estatutárias. A reportagem do Agora RN contatou Bira, que confirmou a simpatia pelo projeto, mas disse acreditar que não seria possível implantá-lo já para o ano que vem.

“Acho que isso (de diretoria remunerada) é uma tendência. Precisamos transformar os clubes em verdadeiras empresas, e isso passa por remunerar as pessoas que trabalham nele, mas que também se exija que elas dêem expediente. Com esse modelo, na minha opinião, é possível resolver os problemas mais rápido. Esses rebaixamentos sequenciais dos principais clubes do Rio Grande do Norte demonstram que a atual forma de administração precisa ser repensada”, afirmou.

A atual diretoria do ABC foi eleita para mandato de dois anos no final do ano passado. Portanto, permanecerá no comando do clube até dezembro de 2020. Por ser um consenso entre todos os grandes dirigentes que já passaram pelo ABC, não existe oposição na administração. Apesar de tudo, o primeiro ano desta gestão pode ser considerado catastrófico, vez que o clube quebrou a sequência de títulos estaduais que vinha tendo (perdeu a final deste ano para o rival América) e ainda foi rebaixado para a Série D do Brasileirão.

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