Robinson é “incompetente” e Carlos Eduardo “representa a mesmice”, detona Fátima

Senadora e pré-candidata ao Governo comenta aspectos da atual crise e critica prováveis adversários na campanha 2018. Ela afirma que ainda vai dialogar com o setor produtivo

Líder nas pesquisas de intenção de votos para o Governo do Estado, a senadora Fátima Bezerra (PT) criticou duramente o atual governador, Robinson Faria (PSD), e o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo Alves (PDT), seus prováveis adversários na próxima disputa eleitoral.

De acordo com a petista, a atual administração estadual tem sido uma “tragédia” pelo fato de não conseguir pagar em dia sequer os salários dos servidores e por ser responsável, segundo ela, pela redução da capacidade de investimento do Estado. Já o ex-prefeito de Natal, para Fátima, representa o mesmo “projeto oligárquico que vem predominando no Estado há algumas décadas”.

Nesta entrevista ao Agora RN, a senadora potiguar aborda ainda outros aspectos, como a recente crise dos combustíveis e o cenário político-eleitoral para 2018. Confira os principais recortes:

AUMENTOS DOS COMBUSTÍVEIS

O Governo Federal precisa imediatamente revisar a política de comercialização de preços dos combustíveis adotada pela Petrobras desde 2017. Essa política nos levou a uma tragédia do ponto de vista social. No governo Temer, nós já tivemos 229 reajustes no preço do diesel. No governo Lula, foram 16 reajustes. A política de preços atual é dolarizada, totalmente vinculada às oscilações do mercado internacional. Tudo isso para atender especialmente aos bolsos dos acionistas da Petrobras. A gestão da Petrobras passa por um processo de privatização crescente.

POLÍTICA DE PREÇOS

Tem de fazer como os governos do PT fizeram: estabelecer ciclos mais longos para a atualização do preço do combustível. Assim, a população não era penalizada. Além disso, precisa rever a gestão da Petrobras, para reverter o processo de privatização. Ao invés de vender as refinarias, vamos fazer um plano de investimentos para aumentar a capacidade de refino no país. E terceiro: por que não tributar o lucro exorbitante dos bancos?

RELAÇÃO ENTRE LAVA JATO E A ATUAL CRISE

Malfeitos, uma vez existentes, precisam ser apurados, doa a quem doer. Quem for culpado que pague por isso. Mas o que tem ligação com esse momento da Petrobras é o modelo de gestão que esse governo ilegítimo e entreguista defende. É a ideia de um Estado ultraneoliberal. Eles querem se desfazer do patrimônio nacional, querem vender [a Petrobras] a preço de banana.

TAXAÇÃO DE LUCROS DOS BANCOS

O PT tentou várias vezes. Não conseguiu taxar isso [lucros e dividendos auferidos pelos bancos] porque o Congresso Nacional não deixou. Esse Congresso que está aí está ajoelhado aos pés do mercado, totalmente comprometido com o conservadorismo. É um Congresso que dá as costas ao povo brasileiro.

REDUÇÃO DO ICMS SOBRE OS COMBUSTÍVEIS

É um verdadeiro escândalo. Ao invés de rever essa política suicida de comercialização de preços da Petrobras, o governo tira do orçamento dinheiro da população mais pobre, que é quem mais precisa dos serviços públicos. E agora ele quer transferir essa conta para os estados e municípios. Está em discussão no Senado um projeto de decreto legislativo para alterar as alíquotas de ICMS cobrada pelos estados. Eles querem fazer uma regra única para o país estabelecendo que nenhum estado pode cobrar acima de 18%. O RN teria uma perda de R$ 600 milhões por ano. É um ato criminoso.

AVALIAÇÃO DO GOVERNO ROBINSON FARIA

O Rio Grande do Norte é uma tragédia. Há incompetência nessa atual gestão. Dois anos sem o servidor ter o direito de chegar ao final do mês e receber o seu salário em dia. Fornecedor nem se fala. Capacidade de investimento é zero no Rio Grande do Norte. Temos, ainda, um rombo fiscal por mês, segundo a Tributação do Estado, que ultrapassa R$ 130 milhões.

ROMPIMENTO COM O ATUAL GOVERNO

O PT rompeu com o governador Robinson Faria porque fomos traídos. Foi uma campanha belíssima. Fomos às ruas em nome de um projeto que ele apresentou para o Rio Grande do Norte. Entretanto, veio o golpe [impeachment da então presidente Dilma Rousseff, em 2014] e o governador aderiu ao golpismo, traindo não só o PT, mas a maioria da população que tinha votado nele. Ele frustrou a população do RN quando as promessas se romperam pelas estradas afora. O governador prometeu demais e se perdeu. Infelizmente, temos hoje uma gestão extremamente incompetente.

PRÉ-CANDIDATURA AO GOVERNO

Sou candidatíssima e vou fazer essa campanha com muito entusiasmo, esperança e confiança. Estou diante de um dos maiores e honrosos desafios da minha vida, mas a vontade e o desejo de servir ao povo do meu querido Rio Grande do Norte são enormes.

PROGRAMA DE GOVERNO

Nesse momento, técnicos, especialistas e professores das mais diversas áreas estão debruçados fazendo um relatório minucioso da realidade do Rio Grande do Norte. A próxima etapa serão os seminários programáticos. Eu quero passar os meses de junho e julho dialogando com a população, e o primeiro seminário que nós vamos fazer é sobre a questão fiscal. É um assunto nevrálgico, pois, se não apontamos saídas para isso, como nós vamos consertar a casa?

ANÁLISE DE CARLOS EDUARDO

Carlos Eduardo representa a mesmice, o mesmo projeto conservador e oligárquico que vem predominando nesse estado há décadas. A nossa candidatura vai quebrar paradigmas.

SETOR PRODUTIVO

A nossa gestão vai ser pautada na democracia e no diálogo. Eu tenho o dever, do mesmo jeito que vou dialogar com os movimentos sociais e os trabalhadores, de dialogar com os empresários e com o setor produtivo. Vou dialogar com os demais poderes e com a sociedade como um todo. Nossa gestão vai ser pautada no diálogo, na confiança, na transparência e na honestidade e na decência, que tem sido a marca da minha trajetória na vida pública. (Agora RN)

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