Refugiado em novela da Globo, Marco Ricca questiona política no Brasil

Ele também chama a atenção para a volta da epidemia do Ebola

Refugiado em novela da Globo, Marco Ricca questiona política no Brasil

Intérprete de Elias, sírio refugiado no Brasil e pai de Laila na novela da Globo “Órfãos da Terra”, Marco Ricca, 56, compara os conflitos vividos no Brasil com os dos países em guerra, dizendo que, entre os brasileiros, os confrontos se concentram “onde a pobreza impera”.

“Na Síria, no Líbano, no Oriente Médio, não tem distinção de renda: uma bomba pode cair na casa da classe média alta, por exemplo. Nós aqui temos muitas tragédias, mas são diferentes. Se você for de classe média, pode passar por uma coisa ou outra, mas para quem mora na favela, isso é cotidiano”, disse o ator à reportagem. “Mata-se mais, por incrível que pareça, no Brasil do que na guerra inteira da Síria”.

Ricca aproveitou o assunto para questionar a falta de divulgação dos problemas decorrentes dos ciclones que atingiram Moçambique, na África, em março.

“É um lugar do mundo que, para eles, se acabar tanto faz. ‘Não tem nada, só tem gente negra’. É assim que o povo pensa. Não tem nem refúgio humanitário. A única coisa que chegou lá foram os médicos cubanos. Se você for ver, sempre quem vai para lá são esses caras. ‘Porque não tem nada ali’. Não tem diamante, petróleo, porra nenhuma. ‘Só tem gente pobre naquele lugar’. E engraçado que há pouco tempo atrás aquilo estava para ser uma ‘Suíça da África’ (sic)”, questionou o ator.

Ele também chama a atenção para a volta da epidemia do Ebola e a alta porcentagem de africanos com Aids, dizendo que “o mundo não olha para isso”. “A gente não olha nem para aqui, para as comunidades. Por que estão olhando para a Venezuela agora?”

No papel de Elias, Ricca diz que tem o compromisso de representar essa realidade sem ofender as pessoas que passam por ela. Ele descreve seu personagem como alguém que “não vive no passado, mesmo tendo enfrentado muitas tragédias”, o que seria um retrato dos refugiados com quem conviveu nos últimos meses e que ainda acompanham o elenco na novela.”

Boa parte do mundo pune essas pessoas [refugiadas], mas ninguém sai do seu país porque quer”, reflete o ator.Sem fazer previsões para a novela, que estreou em 2 de abril, ele diz que “há muito tempo perdi isso de querer imaginar ou desejar que o que eu estou fazendo fará sucesso”.

Para ele, o que adianta é entregar o seu melhor no trabalho e se divertir enquanto o faz. No caso desta novela, por exemplo, ele conta que procurou ver documentários e ler livros para se aprofundar no assunto do qual já se interessava antes – o ator cursou História na faculdade e é entusiasta dos temas do Oriente Médio.

“É uma pena que é uma novela das seis. Acho que é um tema que daria para abranger muito mais coisas, aprofundar muito mais”, lamenta.Emendando uma série de trabalhos além do folhetim, Ricca também se prepara para o lançamento do filme e da minissérie sobre a apresentadora Hebe Camargo (1929-2012), em que interpretará o segundo marido da apresentadora, Lélio Ravagnani, a convite do diretor Maurício Farias.

“Com Maurício eu nem penso, só vou. Ele, Gustavo Fernández [diretor artístico de ‘Órfãos da Terra’]… São pessoas por quem eu tenho admiração”, diz o ator.”Tive contato com Hebe porque fiz a novela ‘Éramos Seis’. Acabei indo ao programa dela duas vezes. Ela era uma pessoa muito carinhosa com atores, assistia muita novela, teatro e cinema brasileiro. Cortejava a gente. E Andréa Beltrão [que interpreta Hebe na nova produção] é uma pessoa que eu adoro”.

O longa “Hebe – A Estrela do Brasil” estreia em agosto deste ano, enquanto a minissérie, que terá cenas extras, chega à TV Globo em 2020 com dez episódios. (FOLHAPRESS)

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