Fátima Bezerra assume Governo dizendo que herda “legado dramático”

Governadora do Rio Grande do Norte adiantou que seu foco, “antes de mais nada, será organizar as contas para colocar em dia o pagamento dos servidores”

Eduardo Maia / ALRN Fátima Bezerra (PT), governadora do Rio Grande do Norte

Em seu discurso de posse – marcado por momentos de emoção quando lembrou da infância na zona rural e a trajetória da Paraíba para o Rio Grande do Norte – a governadora Fátima Bezerra (PT) afirmou que o desafio que assumiu nesta terça-feira, 1°, “é gigantesco”, mas que é do tamanho de sua disposição para o trabalho.

Reiterando que irá governar para todos, “sem nunca vender ilusões ao povo”, a governadora eleita disse que a grave crise fiscal e financeira do RN, que ela qualificou como “legado dramático”, começa a ser debatida nesta quarta-feira, 2, na primeira reunião com os poderes Legislativo e Judiciário.

“Uma das faces mais cruéis dessa herança se expressa no completo desrespeito com os servidores públicos”, afirmou, ao lembrar que herda do governo de Robinson Faria (PSD) “uma dívida de R$ 2,6 bilhões, três folhas de pagamento do funcionalismo público atrasadas e dívidas com fornecedores”.

A governadora adiantou que seu foco, “antes de mais nada, será organizar as contas para colocar em dia o pagamento dos servidores” e isto “exigirá de nós muito esforço fiscal, tanto para conter o crescimento das despesas obrigatórias como para ampliar a arrecadação”.

Ao lembrar sua condição de única mulher eleita ao governo de um estado nas últimas eleições, Fátima evocou a memória de outras personalidades femininas potiguares, como Maria do Céu Fernandes, Alzira Soriano, Clara Camarão, Nísia Floresta, Alta de Souza, Celina Guimarães e Dona Militana.

“De todas as mulheres potiguares e brasileiras que me inspiram cotidianamente a seguir a luta. Vocês tomam posse hoje comigo”, afirmou.

Sem citar uma única vez o nome do ex-presidente Lula e dizendo que governará para todos os potiguares, inclusive para quem não votou nela, Fátima reconheceu que sua eleição é a “tarefa mais desafiadora” de sua vida política.

Com vestido claro, com mangas de renda, Fátima lembrou o desemprego e a insegurança de milhares de potiguares e agradeceu a esperança depositada nela nas urnas por mais de 1 milhão de pessoas. Nessa linha, ela afirmou:

“Em um momento tão difícil da história do nosso Estado e do nosso País, onde o desemprego, a escassez de serviços públicos de qualidade, o desrespeito aos trabalhadores e a insegurança afetam grandemente as famílias, me foi confiada a honrosa tarefa de governar o Rio Grande do Norte. De colocá-lo nos trilhos do desenvolvimento, da justiça e da inclusão social”.

Como não poderia deixar de ser, a governadora lembrou o tamanho da crise fiscal que ela assume em forma de uma dívida de R$ 2,6 bilhões; três folhas de pagamento do funcionalismo público atrasadas e dívidas com fornecedores que fornecem para áreas essenciais do governo.

Nesse momento, Fátima se comprometeu a regularizar o pagamento dos servidores públicos; aprimorar a política de segurança pública e valorizar os seus profissionais; garantir segurança hídrica para todas as regiões do estado; qualificar os serviços públicos, em especial nas áreas de educação, saúde e assistência social; retomar a capacidade de investimento do estado.

Embora negando que fará um governo “olhando para o retrovisor”, a governadora admitiu que “não será fácil, já sabíamos”.

Nesse momento, embargada pela emoção, Fátima falou da infância e a adolescência na zona rural. “Como a maioria do povo potiguar, eu não nasci em berço de ouro, sempre lidei com as dificuldades. Com a fome, a pobreza, a falta d’água, a dificuldade para estudar. Sei o significado da luta e da construção de oportunidades”, lembrou a governadora com lágrimas nos olhos.

Já no final de seu pronunciamento de posse, a nova governadora lembrou o educador de esquerda Paulo Freire para conjugar o verbo “esperançar”. E justificou: “Não a esperança que espera, mas a que se levanta, que vai atrás, que constrói, que não desiste. Esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo”.

E concluiu:

“Esse é o pacto que quero fazer com vocês. Vamos sonhar e organizar o sonho. Vamos governar para todos e para os que mais precisam. Vamos ter esperança e coragem. Paciência e perseverança. Serenidade para lidar com os desafios, sabedoria para governar e união para juntos trilharmos um outro caminho. Vamos juntos!”

De acordo com a Polícia Militar, cerca de 2 mil pessoas acompanham a cerimônia de posse da petista. (Agora RN)

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