Desafios e políticas públicas para microcefalia pautam audiência pública na AL

“Aprendendo com a microcefalia, superando desafios e preconceitos”. Esse foi o tema da audiência pública realizada na tarde desta quinta-feira (19), na Assembleia Legislativa do RN. Proposto pela deputada Cristiane Dantas (SDD), o debate teve como objetivos evidenciar questões importantes e analisar os melhores caminhos para o Poder Público direcionar suas políticas públicas, planejar e dispor recursos para um atendimento mais digno a essa parcela da população.

Segundo Cristiane Dantas, desde 2014, quando o Brasil vivenciou o surto dos casos de microcefalia nas crianças, especialmente nos estados do Nordeste, muitas incógnitas surgiram. “Passados quatro anos, ainda existem dúvidas sobre a real origem da malformação congênita que afeta o desenvolvimento do cérebro dos bebês. Contudo, a teoria mais aceita até o momento e fonte de muitas pesquisas, é a de que a microcefalia está associada ao surto do Zika, vírus transmitido pelo aedes aegypti, que também transmite dengue e chikungynia”, disse.

Iniciando os discursos dos membros da Mesa, a Subsecretária de Direitos Humanos, Maria Luiza Tonelli, disse que “primeiro é preciso pensar nessas crianças como sujeitos de direito; elas têm direito a saúde, lazer, educação inclusiva, enfim, todos que as outras crianças possuem. Também temos que lembrar das mães, porque sabemos o quanto é difícil a vida de uma cuidadora de criança com microcefalia”.

Falando em nome de todas as mães, Maria da Guia dos Santos, presidente da AME (Associação das Mães Escolhidas por Deus), emocionada, contou um pouco da história com sua filha, Maria Vitória.

“Eu estava no salão de beleza e conheci uma mãe que teve um bebê e o havia abandonado. Eu não pensei duas vezes e decidi ficar com Vitória para mim. Quando os médicos me falaram que ela era uma criança especial, eu olhei para ela e vi apenas uma menina que precisava de cuidados, porque as mães não escolhem os filhos e não olham seu diagnóstico. Todas nós fomos escolhidas por Deus para cuidar desses bebês, independente do problema que eles têm”, desabafou.

Maria da Guia destacou que ela e as outras mães não querem dinheiro, e sim, carinho e atenção. “A gente não quer dinheiro. Dinheiro é consequência. O que a gente quer é atenção, ser vista e ouvida. Precisamos que olhem com carinho para a nossa causa. Eu, por exemplo, quando peguei Vitória, ela não tinha quase nenhuma chance, porque ela havia tido infecção generalizada. E hoje ela está aí, firme e forte. Fica em pé, já enxerga, fala algumas palavras. E o que curou ela foi, principalmente, todo meu amor, cuidado e carinho”, disse.

Defensora pública do Estado, Cláudia Queiroz falou da obrigatoriedade do Poder Público em promover o direito a saúde, educação inclusiva e moradia às famílias com crianças portadoras de microcefalia.

“A Defensoria Pública do RN estará sempre lutando ao lado dessas crianças e seus familiares. Essa batalha não cessa, mas sempre vale a pena. Temos que buscar o melhor para os nossos filhos, dar o melhor para eles, sempre”, disse.

A defensora pública ainda aconselhou os familiares a não se conformarem com um ‘não’, com a falta de terapia ocupacional, com a inexistência de um prestador de serviço em determinada rede de atendimento, com a falta de passagens para as consultas. “Prestar todas essas assistências a vocês é dever do Poder Público. Vocês podem e devem cobrar seus direitos”, esclareceu.

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