Bolsonaro é o maior problema de Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) consegue produzir contra si o que a oposição inteira não logrou êxito na campanha presidencial e nos primeiros meses de seu governo. Bolsonaro é o maior problema de Bolsonaro e de sua gestão.

Depois, seus próprios filhos, igualmente loquazes e inconsequentes com as palavras, completam essa ópera caricata.

O dia de ontem (sexta-feira, 19), acabou sendo pródigo na produção de combustível para desgaste pessoal do presidente e seu governo.

Flagrado em sussurros com o ministro-chefe do Gabinete Civil, Onyx Lorenzoni, ele disparou: ”Daqueles governadores de ‘paraíba’, o pior é o do Maranhão (Flávio Dino-PCdoB); tem que ter nada com esse cara”.

Nesse mesmo evento em que o presidente deu entrevista a jornalistas estrangeiros, assegurou que no Brasil “é uma grande mentira que alguém passe fome”. Depois voltou atrás, relativizou as próprias palavras.

Ainda nessa entrevista, Bolsonaro afirmou que a jornalista Miriam Leitão foi presa quando estava indo para a Guerrilha do Araguaia em 1973 e que ela mentiu sobre ter sido torturada durante a ditadura. “Miriam foi presa, torturada e não participou da luta armada”, deixou claro a Rede Globo de Televisão, em nota divulgada no Jornal Nacional.

Para adversários, detratores e inimigos fanáticos à esquerda, o comportamento do presidente é o ideal. Não poderia ser melhor a seus propósitos de desconstrução política. Para muitos, quanto pior, melhor.

À nação sóbria, não. Essa parte do Brasil que não cultua mitos, não pragueja ninguém e evita satanizar quem não gosta, por qualquer motivo que seja, se interessa mesmo pelo sonho de um país capaz de sair do buraco em que está metido há tempos. Queremos um lugar socialmente justo.

Bolsonaro assusta, assusta-me. Sua infindável agenda de picuinhas, futilidades, preconceitos e verborragia alarga mais ainda o fosso entre Brasil e Brasil. Não junta, fraciona. Não concilia, arenga.

O pior é a desesperança.

Em qualquer direção que olhamos, nada parece sinalizar como alternativa confiável, moderada e aglutinadora. Somos um país em cacos; uma nação raivosa e doente que não consegue dialogar para podar suas diferenças e avançar.

A propósito, nesses tempos ser ponderado é sinônimo de covardia, que se diga. E os extremos só enxergam os extremos. Bastam-se. Um lado é fetiche do outro e vice-versa.

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