A distância entre a baderna, o “Diretas Já” e o “Fora, Collor”

Em conversa à noite de ontem com um amigo, advogado, ele exprimiu uma opinião sobre o conturbado dia em Brasília, com mobilizações populares que terminaram em baderna e depredação do patrimônio público e privado:

– Pelo menos Michel Temer (PMDB) provou que as Forças Armadas ainda obedecem ao comando dele.

Discordo parcialmente, argumentando.

As Forças Armadas jamais vão cruzar os braços à perturbação da ordem, sob a justificativa de direito alheio à “liberdade de expressão”.

Cenas de guerra foram vistas em Brasília num movimento que poderia ser ordeiro, pacífico e legítimo (Foto: Fábio Rodrigues)

O caso não é ter  – ou não – comando sobre as Forças Armadas, mas a fácil identificação de ausência de legitimidade em movimentações que descambaram para a violência. Se é o caso de existência de “elementos infiltrados”, como se defenderam organizadores do evento, que denunciem os culpados e os entreguem aos agentes de segurança pública.

Os denominados “movimentos populares” não ganham corpo, porque seguem atrelados a uma banda podre da própria política que atacam. Sujos que falam de mal lavados. Mesmo que entre eles exista tanta gente de boa-fé e decente.

Não lutam contra a corrupção e o saneamento da atividade pública. Vociferam pela deposição de um presidente podre e o estabelecimento de um atalho para retomada da cadeira presidencial, novamente como “salvadores da pátria”.

Por essas razões não conseguem ejetar o presidente da cadeira, nem conseguirão as “diretas já”. Temer deverá sair, mas sem dúvidas grudou mais na cadeira presidencial, em face dos atos antidemocráticos de ontem.

É importante salientar, que essa barbárie nem de longe tem semelhança com o “Diretas Já” do início dos anos 80 ou mesmo o movimento dos “Caras-pintadas” (com o “Fora, Collor”) que foi às ruas pelo impeachment do então presidente Collor de Mello em 1992.

Em nenhum deles, havia gente mascarada à promoção da delinquência. Em ambos prevaleceu a força pacífica de multidões, que deram voz cívica à vontade da maioria do povo brasileiro, nas duas épocas distintas.

Na primeira, a aspiração de retomada de eleições diretas à Presidência da República – em pleno regime de exceção; na segunda, a pressão de jovens (entre eles o líder estudantil Lindberg Faria, hoje senador da República, envolvido em denúncias de corrupção), que lutavam pela saída de um presidente corrupto.

Nas duas situações, quem foi às ruas tinha a utopia de dias melhores em contraposição ao escárnio da ditadura e a abjeta esperteza presidencial, na imatura “democracia”.

Hoje, não.

Paira a desesperança, o desapontamento, a revolta contra o modelo político que transformou um simulacro de democracia e uma imberbe república  (com menos de 130 anos de vida), numa possessão de bandidos.

O caso do Grupo JBS, pulverizando quase dois mil políticos e 28 partidos com farto dinheiro prova isso. PT e PMDB – que hoje estão às turras pelo poder – foram os mais beneficiados pela dinheirama.

Os principais líderes visíveis e invisíveis da baderna ou dos gritos de “Fora, Temer”, não são muito melhores do que ele. Transformaram-se em despachantes de negócios de banqueiros e de outros tubarões plutocratas, ao lado de quem hoje execram.

Querem enganar a quem?

A massa-gente percebe isso. Não é completamente parva.

Por isso prospera a violência em vez da garganta e o sentimento de amor à pátria amada… Brasil!

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